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Eles não são mais os mesmos Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Denilson Pereirah, em 04-09-2008 14:15
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“Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba nossa lua, e, conhecendo nosso medo, arranca nossa voz da garganta.
E porque não dissemos nada.
Já não podemos dizer nada.” , Maiakovski
Reflexo da modernização e crescimento acelerado do país, até ‘eles’ se profissionalizaram. Estou sendo preconceituoso, afinal de contas, porque ‘eles’ ficariam fora do ciclo econômico?
Os tempos são outros… E a marginalidade é outra. Está organizada. É uma empresa sólida e lucrativa. Tudo dividido hierarquicamente, sem nenhum pudor. E o pior. Nós não estamos acompanhando o ritmo de crescimento desses homens de negocio.
A mudança de assunto é necessária para o entendimento do restante do texto.
Fui assaltado dia desses. Estava com um amigo que veio da minha cidade natal visitar e passar o fim de semana conhecendo Picos. No domingo, ele viajaria as 22h, e antes disse resolvemos comer alguma coisa. Passamos por alguns locais, até que ele escolheu o que lhe parecia mais organizado. Uma demora pra chegar o garçom, outra pra chegar o pedido.
Alguns minutos depois que chegamos. Percebi que dois rapazes passaram por nossa mesa. O primeiro passou direto. O segundo passou e olhou pra trás firmemente. Nem me toquei. Pareciam tão inofensivos.
Minutos depois, nosso pedido chegou. Logo, a garçonete saiu da mesa. Logo, senti um soco na mesa. Logo, ‘eles’ saíram correndo. Logo, eu e meu amigo continuamos sentados, perplexos. Logo, aquele estabelecimento lotado de famílias e casais se voltou rapidamente pra nossa mesa. Logo, continuaram suas vidas. Levaram um celular e uma carteira de cigarros, quanto a isso nada a declarar.
Me senti inútil. E uma reação extremamente adversa aconteceu. Começamos a rir. Particularmente, ria de medo. Queria chorar e estava com vergonha do pessoal. Perguntas me lotavam a cabeça e a imagem do susto não saia em nenhum momento de meus olhos. Não sabia se estava com raiva dos assaltantes, ou se ficava com raiva de um comentário que veio da mesa a nossa frente. Uma mulher, sentada com seu namorado, olhou pra mim e disse: “A se fosse eu!”.
Me perguntei, e se fosse ela? Não teria acontecido nada. Provavelmente ela teria desabado no choro e seu parceiro continuaria sentado. Sabe por quê? Por que tanto eu, meu amigo, os casais e as famílias que ali estavam, esperavam ser roubados por alguém bem diferente. Não vou dar detalhes de como seria meu bandido perfeito, mas cada um tem sua consciência e sabe do estou falando.
Eles não são mais os mesmos. Se vestem bem, são agradáveis e estão organizados. Te humilham sem nem troca uma palavra com você, e não roubam só coisas materiais. Roubam a sua liberdade. E porque não dissemos nada. Já não podemos dizer mais nada.
Continuaremos a mercê? Por que, acredite, a situação não vai melhorar!
Boa Noite e Boa Sorte!


Publicado em : Crônicas, Crônicas
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