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Para além da consciência Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Joâo António Fernandes, em 02-09-2008 00:43
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O emprego das palavras no dia a dia apresenta uma finalidade como fator fundamental, a comunicação com o outro, para que ambos saibam do que estão a falar, a que e a quem se referem, que representa e faz-se representar, constituindo um instrumento de identificação e definição.
A linguagem por isso é um meio de expressão codificado, que o outro tenta descodificar, na tentativa de o entender.
Da simplicidade para a complexidade, existe um longo caminho a percorrer, mas a maioria posiciona-se na simplicidade do discurso, onda a síntese ocupa o seu lugar de destaque, como resultado de algo que está oculto e não se revela.
O sistema tenta apresentar uma resposta que emerge do pensamento, em que a elaboração ficou para trás e o que resta são pedaços em forma de pacotes de informação que são projetados para o exterior.
O sistema tenta simplificar o que à partida parece ser complexo.
As coisas simples são facilmente entendidas, por isso o emprego generalizado das palavras, sem que exista muito cuidado naquilo que se diz, em que a relação é primária e não carece de reflexão.
O ato reflexivo é posterior devido a uma frustração provocada ou por um conflito gerado.
A existência do outro parece retirar ao indivíduo o seu lado reflexivo, muito embora os conflitos sejam gerados por interseção de algo, só no silêncio e abandonados à nossa sorte somos levados à reflexão.
Por um lado o horror de ficar sozinho e por outro a resistência de escutar o semelhante e o tentar entender.
A agitação do mundo exterior nos tira da nossa interioridade e nos coloca para além dela, em que parece que existe a necessidade de estar e não estar ao mesmo tempo, em que ora uma ou outra prevalece, conforme nos sentimos, satisfeitos ou insatisfeitos.
Mergulhados no quarto escuro ou no silêncio da escrita à luz de uma vela, estamos do mesmo modo em reunião, confrontados com os nossos valores, desejos e não desejos, em que a diferença parece estar em algo que está do lado de fora e que nos pode acalmar, que estando perto tantas vezes nos traz agitados.
Agarrados a uma caneta, a um lápis, a um livro ou ao computador, nada descobrimos, apenas tentamos fazê-lo.
O que percebemos é uma insaciável vontade de comunicação, que sem o outro, entendido como coisa real, o fazemos de forma virtual.
Nos confrontamos com o autor do livro, que talvez naquele momento esteja a dormir ou numa festa qualquer, com as palavras azedas de um companheiro, ou de um gesto que considerámos de mau gosto, mas que já é passado, pertencente a outra realidade, que não aquela que estamos de momento a viver.
A eterna luta entre o Eu e os outros.
Acreditamos que estamos certos ou errados, quando afinal o que produzimos em nós é simplesmente o nosso bem ou mau estar, tantas vezes de qualidade duvidosa, mas que é aquela e não outra que nos pode fazer um pouco felizes.
Desejamos estar acompanhados porque não conseguirmos estar sozinhos.
Estamos sozinhos por não desejar estar acompanhados.
Estar e não estar são momentos, que deixam marcas que nos fazem sentir o que desejamos e produzem em nós os não desejos.
A consciência do estar ou não desejar estar, não parece que seja ou possa ser definida por um momento que se deseja, mas sim por um momento anterior que marcou, e por isso desejamos ou não.
A consciência do ato de estar foi marcado a ferro e o fogo.
A consciência pelo o desejo de estar foi alcançado através desse momento.
Mas tudo que envolve o próprio ato de estar, não é um processo que possamos considerar consciente, porque na maioria dos casos não conseguimos explicar porque desejamos ou não estar.
A consciência pertence ao mundo das coisas simples, em que toma-se conta dela ou não, e talvez por isso sejamos por vezes tão levianos a constatar e a julgar as atitudes dos outros, porque não conseguimos separar o ato que se revelou da nossa própria consciência.
A realidade apresenta uma lógica, resultante de uma interação entre corpos ou de um objeto real em si mesmo, em que ela revela-se pela simplicidade quanto à sua conexão.
A relação entre corpos é simples, eles aproximam-se, afastam-se ou simplesmente ficam imóveis.
A complexidade surge a partir das qualidades de cada corpo, das suas propriedades, que uma vez relacionadas e devido a um processo de interação, pode causar uma série de efeitos.
São eles que nos garantem a consciência do ato, que pode apresentar uma lógica, por ir de encontro aos nossos princípios, ou ser ilógico, por não garantir ao indivíduo a observação dessas qualidade interiores.
A sensação é que estamos acompanhados, mas eternamente sozinhos.
O nosso pensamento pode perder-se, esgotar-se, como perdido num mar imenso, mas a fonte permanece ou tende a permanecer intocável, apresentando sempre uma bolha de água, que é igual ou semelhante aquelas outras que foram dissolvidas no infinito.
Entre a fonte e o mar, que tudo envolve e dissolve, existe um caminho a percorrer, que talvez não seja o meio de nada, mas apenas um meio para qualquer coisa, que corresponde ao ganho de liberdade do indivíduo, do próprio ser vivo.
Por um lado preso aos seus ideias, por outro acorrentado à idéia da destruição, o que sobra é esse movimento entre uma coisa e outra, que nos faz sentir nós próprios em busca de qualquer coisa.
A consciência de um sentir interior nos promove o impulso.
A consciência da impossibilidade, nos tenta impulsionar para a descoberta de uma alternativa, gerando uma possibilidade.
A lógica corresponde aos passos que desejamos dar tendo em conta os princípios, que não a terá ao mostrarem-se contrários a eles.
Não estou certo que a consciência possa existir par além do que na realidade nos é revelado, e que por isso tornou-se consciente.
A dedução entre consciências adquiridas, muito embora seja um processo comparativo, não parece que seja consciente, mas apenas uma necessidade do sistema apresentar um determinado resultado, que segue ou tenta seguir uma lógica segundo os princípios do sujeito.
Tal interação é devido à função do sistema, que tende a dar uma resposta ao seu dono acerca de tudo que o envolve ou tende a envolver.
A consciência apresenta uma relação estreita e fundamental como forma empírica na relação entre corpos, em que existe a unidade, porque ela é evidenciada no seu modo simples, e que sem ela parece não existir condições para a sua própria existência.
Todo o processo posterior não parece que possa ser entendido como consciente, mas sim derivado da consciência, em que tantas vezes o indeterminado na procura de algo que possa satisfazer o indivíduo, é o efeito de uma determinação interior.
O bebé é determinado pelas suas necessidades e por isso reage.
Não tem consciência mas apresenta um resultado dela derivado, mediante o qual o adulto toma consciência e tenta decifrar, descodificar, qual a necessidade que o faz agitado, cuja finalidade vai no sentido da satisfação.
A reclamação é inconsciente, o que é consciente é o sentido, que corresponde e parece ser análoga a uma dor e tem uma causa interior.
A consciência do Ser, da sua possibilidade em ser, e do não Ser, despertado por uma insatisfação, não deseja deixar de ser, e tenta reagir contra a impossibilidade.
A consciência do Ser ou não Ser.
A consciência do Ser é sentida de modo natural, é condição intrínseca das propriedades do ser vivo, faz parte dele, e sendo ele não pode ser comparado consigo próprio, a não ser com qualquer outro que esteja fora de si.
È perante a consciência da possibilidade do não Ser, que o indivíduo reage e tende a movimentar-se no sentido de estabelecer as condições anteriores de satisfação.
O princípio da estabilidade está em si, na sua forma de organização psíquica e biológica.
O da instabilidade coloca-se a partir de uma perspectiva que leva ou pode conduzir o ser vivo a quebrar o princípio da estabilidade.
A consciência do estar é o sentir que está ou possa vir a estar.
A lógica nasce a partir dessa consciência, que é algo sentido em cada um de nós, e aquilo que não entendemos segundo tal princípio é para nós ilógico, ou não tem lógica.
A lógica do outro não segue os mesmos passos, porque de outra consciência é possuído.
Ela é por isso coisa de cada um, que uma vez comparada com algo exterior, percebemos ser lógico ou ilógico.
Uma vez que cada um tem uma lógica própria, cabe então perguntar de onde provém essa consciência, que nos faz tomar as dores do outro, ou o tentar observar como igual ?
Semelhantes nas não iguais, por isso diferentes.
Recorrendo a uma frase bíblica diria ¨ Quem quiser que me siga ¨ .
Não o desprezo por quem fica pelo o caminho, mas deixando para trás quem não pretende seguir o mesmo caminho, tal como Cristo.
Porque obrigados a tomar nosso rumo, se não nos percebermos sozinhos, o estaremos na primeira dificuldade que se revelar.
Ao tomar consciência de uma guerra que não consegue ganhar, o homem tende a acabar com ela.
A guerra foi produzida por uma consciência
O fim da guerra o foi do mesmo modo.
Que papel desempenha então no ser humano a consciência ?
O que é a consciência e o ser consciente ?
E em relação a quê ?


Publicado em : Diversos, Artigos Diversos
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