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Um momento para meus pés Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Victor Viana e Silva, em 20-07-2008 19:21
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Tiro os calçados, afrouxando os cadarços brancos, sujos, cruzados, um a um. Tiro do pé direito (ou esquerdo) e depois o esquerdo (a ordem importa, mas desconheço meu próprio ritual). Depois as meias...
A princípio eu os ponho no chão e depois procurarei os chinelos. Sento no chão mesmo. Abraço os joelhos e vou passando a mão nos pés. A pele úmida e meio esfolada em alguns cantinhos, totalmente branca e morta em alguns outros, geralmente a beirada dos dedos grandes, onde fico às vezez à caçada de uma unha encravada - o que nos causa o dobro do sofrimeno - e das pelinhas soltas, dos fiapos de algodão. Frieiras não tenho. Frieiras são "pés-de-atleta", e como não sou atleta...
Passo a mão por baixo de um deles sentindo um pouco de cócegas. Entre os dedos. Do lado. Em cima, até antes da canela (tíbia). Entre os dedos. No calcanhar. Na ponta dos dedos. Eu já li e já vi na televisão que os pés são as partes mais sensíveis do corpo, que comandam a nossa vida, saúde, humor. Eles guiam nossos passos! Por que a gente às vezes vai onde não quis ir? Os pés quando perto do chão mais que da cabeça não têm jeito.
Em outras vezes que não agora já usei das técnicas do pé. A cabeça do dedão é de uma coisa, a planta do pé são coisas várias. É uma pele fininha, boa de passar as mãos. Seguro um pé com as duas mãos, uma mão com os dois pés. Já rolei bolinha de gude e bola de tênis. Roço um pé no outro, um sobre o outro, viro um dos pés, aliso, aliso.
Até a cama, uns seis ou sete passos. Calço os chinelos. Deitado, o meu corpo todo mantém equilibrados meus pés. De pé, eu vivo meu desequilíbrio.
A gente fica rotulando os nossos pés de sensíveis. Amanhã, eu sei, meu hobby pode ser o meu umbigo ou as orelhas (com cotonete, que bom). Sensíveis, sim, porque o carinho agrada sempre aquele que pouco tem amor e sofre.


Publicado em : Crônicas, Crônicas
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