| POESIA E GOZO |
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Vem! Não visto nada agora. Resolvi te esperar nua; Resolvi te escrever nua; Deixar meus versos Percorrerem o meu corpo, Que te procura, Te chama, Te espera. Quero deixar minhas palavras Roçarem uma a uma Pela minha boca, seios, face... Implorar que desçam E me peguem assim, Me fazendo fêmea. Quero as rimas se embrenhando Em meus pelos, Sempre tão bem cuidados À tua espera; Eu quero sentir essa poesia Entrando em mim, E me rasgando, Penetrando, E me molhando Como jamais permiti. Estou pensando em ti, Minha amada! Lembrando de tua língua... Não suporto mais esperar! Vem logo! Que as estrofes Estão me enlouquecendo! São letras que me beijam, Acentos que me comem, Vírgulas que me lambem, Pontos vadios Que encontram o jeito Do meu querer... Estou à beira da loucura, Pensando em ti, À beira do prazer. Meu sexo lambuza os versos; E os versos, Diversos, Penetram, alisam, sugam O meu sexo Alterado de tesão. Vem, querida! Deixe tudo aí, Que acabei de ser invadida Por uma exclamação, Uma interrogação; E todos estão abusando de mim. Salve-me! Um Q está aqui atrás! E um N já roça entre minhas pernas, Como nós, Quando nos entregamos Nesse amor de duas. Já não suporto! Estou louca nessa cama, Nua, molhada, Entre lençóis e travesseiros, Comida por meus dedos, E todos os versos que eu mesma fiz. Enquanto você não chega, meu amor; Eu preciso abrandar essa loucura, E esfregar-me toda... Não tenho mais o controle de mim. Agora sim, Que meus dedos saem lambuzados De poesia e gozo, Deixo meus lábios nervosos Provarem do meu gosto, Em nome do teu gosto. E com uma certa brandura em meu rosto, Repousarei entre expressões e métrica. Vou esperar a porta abrir, Pra ser teus versos, tuas rimas, Quem sabe o teu Q; E te comer enlouquecida, E ser comida com loucura Por você.
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