| UM FURACÃO DE PENSAMENTOS |
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Eu estive pensando no que fiz; No quanto fui feliz E infeliz; No que vivenciei, Experiências que nem sei! Uma rotina de sexo, Um sexo sem rotina; O cheiro do prazer, A pegada de uma puta na esquina, A trepada de macho com a "menina"; Tudo é válido, Tudo é amor; O coração sem sofrer, O prazer e a dor. Os copos cheios, vazios ou pela metade; As luzes, a fumaça... Todos os puteiros vão deixar saudade! Eu também vou deixar uma saudade... Quando eu morrer, Quero minhas "viúvas" lindas, "Celebrando" o luto pelas ruas, pelas camas; Quero os boêmios Tortos pelo chão; Quero um vigarista, Um drogado e um batuqueiro, Cambaleando pelo meu Rio de Janeiro, Em perfeita comunhão. E por que não? Um padre, um ateu e um macumbeiro Discutindo putaria, poesia, E até religião. E das amigas quero um dengo: Todas num jogo do Flamengo, Cantando "Oh, meu Mengão"! E antes da minha cremação, Toquem um CDzinho da Simone, Pra dar um toque de emoção. E peço que a família Não desampare os animais; Eu sempre fiz tudo por eles, E se pudesse faria bem mais. Mas quero que lembrem Que eu fiz tudo do meu jeito; E causei um certo efeito, Fui ação e reação. E fui, como diz uma amiga, Um "furacão de pensamentos", A minha própria criação. O personagem que eu criei Pra minha vida, Realmente criou vida, E saiu da ficção. Eu me perdi, Eu me encontrei, E não deixei barato coisa alguma. Segui todos os caminhos Tortuosos, tenebrosos, Que tracei pra mim. Mas enfim, Como eu não vou morrer... Deixa eu provar, Deitar, pegar, "comer", beber, comer, E provocar; Tudo isso é bom demais! Deixa eu me lambuzar um pouco mais! Elas gostam assim, ELA precisa de mim; E eu gosto mesmo É desse submundo coletivo, De desejos proibidos; Esse bando de "fudidos", Que se julgam imortais.
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