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Sexta, 03 Set 2010
Escrito por: João Bravo
João Bravo

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LUIZ BRAZIL

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Vocês acharam que eu estava derrotado,
Vocês acharam errado,
Eu voltei,se liga só,escuta aí!
Ao contrário do que vocês queriam,
Tô firmão,tô na correria,
Sou vaso ruim de quebrar,
Oitavo anjo do apocalipse,
Tenebroso que nem um eclipse,
Já vi vários caras tomando back,
O bagulho é louco,bem pior que o crack,
O pesadelo tá de volta,cheio de revolta!!!

Este é um lamento,um Rap,composto e cantado por Luiz Brazil,como era seu apelido nas prisões para imigrantes,nos Estados Unidos,um Brasileiro a quem tive o prazer de conhecer.O original é em Inglês,mas me faltou entendimento, e não quis arriscar-me a um tradutor do Google..
O pai, um pastor da igreja batista,atualmente no Brasil,sua mãe,uma enfermeira ou acompanhante de idosos na America.
Aos 17 anos,roubou uma camionete 4X4,por diversão,no decorrer do caminho ao fazer uma ultrapassagem,dá de frente com uma viatura policial que multava outro veículo no acostamento.
O policial já ciente do furto, lança-se a frente do veículo,Luiz desvia, e prossegue,mais a frente uma outra viatura,em meio a quase uma dezena de outras,vai a seu encontro em uma colisão frontal.
Preso ao tentar fugar a pé,com 50 gr de maconha é levado para uma delegacia em Massachusetts onde fica por cinco horas,estipulada a fiança de U$ 5.000,00.
Depois de paga a fiança,a família inteira entrou em uma van,para levá-lo a Florida,de onde embarcaria de volta para o Brasil.
Ao passarem em Virginia,para que Luiz se despedisse de sua namorada,sua sogra consegue convencer sua família a deixá-lo sob sua guarda,junto a sua filha.
No primeiro atrito familiar porém,ela o denuncia,alegando tratar-se de um fugitivo,já que havia se ausentado do estado de Massachusetts.
Levado para uma prisão de menores,lutador de Jiu-Jtsu,logo enturmou-se ganhando o respeito e admiração de todos,inclusive dos agentes prisionais.
Uma semana depois,foi reconduzido a Massachusetts,para responder frente a um juiz.
Esta parte não consegui entender bem,mas o certo é que lá,os menores ficam sob a guarda de um tutor enquanto presos,não sei se promotor ou o que,o certo é que por vontade própria Luiz foi para prisão de adultos em City of Brockton.Seu advogado conseguiu dois meses,e mais 1 ano de condicional (probation).
Ao sair cumprido os dois meses,mas ainda sob condicional,retornou a prisão,por ser pego junto a outros dois amigos,que transportavam drogas,sem seu conhecimento,no interior de um veículo.A fiança,em um valor baixo de U$ 25,00 foi paga,retornou as ruas,mas com data marcada para comparecer a frente de um Juiz,não comparecendo.
Ao sair com um amigo de carro,este imprimiu velocidade acima do permitido,parados pela policia,constava seu nome como procurado.Levado a delegacia,desta vez preso sem fiança por um ano,passou por prisões em Cambridge,brige water,barica,deram,new Jersey.Depois para uma prisão para imigrantes,para ser deportado.
De volta ao Brasil,logo é apresentado ao Crack,esta droga terrível,que já levou e ainda levará,milhares de famílias Brasileiras a ruína.Sob o efeito da droga,espanca seu pai e é internado no Hospital Psiquiátrico São Pedro.
Dr. Alceu psiquiatra, Everton, Bruno, José Medeiros (professores de ginástica), Jurema, Patricia, Antonio, Eliane, Aline, Osmar, Geslaine, Gessi, Edu, Marina, Gloria, Leda, Eliane, Eva Isabel e Nalú (enfermeiros e assistentes sociais) e tantos outros que não lembrarei agora,na unidade masculina Mario Martins,ajudaram e ainda ajudam Luiz Brazil,a libertar-se do vicio.Pessoas extremamente dedicadas,atenciosas,que fazem da dificuldade diária,em meio a tantas carências,de um simples uniforme para pacientes, a um reles computador para ao menos tira-los do tempo da caneta e do livro preto.
Pessoas que amam o que fazem,e talvez só por isso o fazem,que contagiam os pacientes com sua força e coragem para prosseguir.
Esta história me foi contada por Luiz,um dia após,a um belo Concerto da Ospa,nos gramados do Hospital São Pedro que comemorava seus 125 anos,regida pelo Maestro Isaac Karabichevisk, um maestro oitavas acima,d os poucos que conheci, atencioso, amável, didático, tentando levar a platéia,com o auxilio de sua orquestra, a conhecer as obras e seus autores,foi incrível.
Não pude acreditar,que a Governadora Yeda Crusios,queria transferir todos os pacientes ao Leprosário e no lugar do querido Hospital São Pedro,erguer um enorme Shopping Center.
Me entristeci,ao ler matéria do Correio Do Povo,mostrando famílias que aguardavam na recepção por semanas, vaga para internação.
Mas não condeno a Governadora,afinal,sempre haverá algum assessor idiota,dando idéias e opinando sobre algo que não faz a mínima idéia do que seja.
Sei que ela não fará isso,não com o querido São Pedro,até porque,tenho certeza que a primeira a defendê-lo é sua própria filha,psicóloga de formação, e que me pareceu profundamente comprometida com o Hospital.Muitas famílias dependem do São Pedro,muitas vidas,como a de Luiz Brazil foram e serão salvas.
Governadora,escute sua filha,ela sabe das carências do Hospital,da sua qualidade,se não for pelo drama familiar,que seja pelos milhares de votos que ali se concentram,não deixe o São Pedro morrer,ele é jovem ainda,apenas 125 anos e foi inaugurado pela Princesa Isabel, fica em frente ao morro da Maria Degolada,olha que chique.



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LUIZ BRAZIL
Qui, 09 de Abril de 2009

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