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Sexta, 03 Set 2010
Escrito por: Frodo Oliveira
Frodo Oliveira

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A MENINA QUE FAZIA CHOVER

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(EM MEMÓRIA DA MINHA AMIGA GINA.)

Dizem que nasceu em dia de tempestade. Não se sabe ao certo se a chuva veio por causa dela ou se ela veio por causa da chuva, sabe-se apenas que trazia a chuva no olhar. Desde pequena, tornou-se notória entre os mais chegados: todas as vezes que colocava os pés para fora de casa, um aguaceiro desabava sobre a cidade.
No princípio era divertido, sentia-se especial, diferente das outras meninas. Com o passar do tempo, percebeu que as pessoas a olhavam de uma forma estranha e se afastavam apressadas tão logo ela se aproximava. Muito cedo, não restaram mais amigos. Era o início da sua solidão.
Vez por outra, sua mãe a levava para dar um passeio na praia, sempre com um guarda-chuva à mão. Ela andava pelo calçadão deserto, e tentava imaginar como seria num domingo de verão, com as pessoas se divertindo, felizes... Ficava a contemplar o mar, em meio ao aguaceiro e sentia-se deprimida em saber que nunca seria igual às outras pessoas. Ela nunca viveria a felicidade solar de um dia de verão.
Foi crescendo, cada vez mais pálida, vendo o sol pela janela do seu quarto, mas sem nunca poder senti-lo na pele. Em sua cabeça, fantasiava um romance entre o sol e a lua, onde um jamais se encontraria com o outro, a não ser por alguns momentos, ao amanhecer ou ao entardecer do dia.
Tentou descobrir o que acontecia com ela. Pesquisou em livros, na internet e onde mais pudesse ser encontrada uma resposta para essa anomalia inexplicável, tudo em vão. Não conseguiu a menor pista que ajudasse a desvendar o mistério que era sua vida. Ela era única, e nada poderia modificar isso.
Um dia, cansada de ficar em casa, resolveu sair. Sua amiga inseparável, a chuva, a recebeu logo que chegou ao portão. Não levou guarda-chuva, tampouco avisou sua mãe. Simplesmente foi andando a esmo, pelas ruas vazias da cidade, e quando deu por si estava sentada num banco, em frente ao mar. Não havia ninguém à vista, a chuva agora caía aos borbotões, e ela, apesar de totalmente encharcada, sentia seu corpo quente como nunca antes sentira. Tirou os sapatos e caminhou devagarzinho pela areia molhada. Chegou à beira do mar, a água estava morna, a chuva agora lhe parecia reconfortante. Entrou um pouco mais na água, achando maravilhosa aquela sensação de ser abraçada pelo imenso oceano e nem percebeu que a correnteza furiosa a puxava cada vez mais para longe da areia.
Foi encontrada três dias depois, por pescadores, boiando de olhos abertos para o céu azul. Mesmo com o corpo inchado, podia-se perceber um claro sorriso em seu rosto pálido.
Fazia um lindo e ensolarado dia de outono.



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Sex, 23 de Janeiro de 2009

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