Numa manhã iluminada, o sino da igreja anunciava. É chegada a hora. Obra terminada. A igreja finalmente estava pronta. Agora era só comemorar. Padre Justino ou somente Justo, como alguns gostavam de chamar, estava em êxtase. Era realmente um feito para um homem de sua idade. Seus cabelos grisalhos acompanhado de uma longa barba branca encrespada não enganavam; já fazia um longo tempo que aguardava por esse momento. Contemplava a igreja do lado de fora, do outro lado da rua de piçarra. Sabia que deveria estar de repouso. As costas arqueadas por causa da idade avançada, o maltratava durante longos anos.
No entanto, toda aquela dor valia a pena; com a reforma da casa do Pai, finalmente concluída, sabia que no mínimo, já tinha garantido uma vaga no reino de nosso Senhor. Demonstrando nitidamente uma satisfação, quis percorrer por toda cidade; tinha que ver com seus próprios olhos, o povo clamando o seu nome, agradecendo-lhe por restaurar o templo do Pai. Andou...andou e nada. As pessoas que passavam por ele, muitas de cabeças baixas, nada falavam. Nenhum sinal de agradecimento. Nenhum aceno, nem um simples obrigado que fosse... somente o nada se fazia presente naquele momento. Os poucos que levantavam a cabeça com menção de olhá-lo, logo desistiam ao perceberem que o padre os fitava. O padre se entristeceu. Sua coluna que já era arqueada, agora parecia que ia se partir ao meio de tanto o padre ficou cabisbaixo.
Sem saber o motivo daquela reação do povo, o padre matutava em busca de uma explicação. Será que ninguém tinha visto como a igreja tinha ficado linda? Perguntava-se o padre. Continuou andando. Logo adiante, percebeu uma gritaria que vinha de uma casa. Aproximou - se. Parou diante da porta da casa que estava escancarada. Dali mesmo, olhou para o interior da residência e percebeu que se tratava de uma ríspida discussão que um casal travava.O homem, completamente bêbado, tentava agredir uma mulher, provavelmente sua esposa, com um chinelo. A mulher, em lágrimas, chorava encolhida no canto da parede. Presenciando aquela situação, padre Justino entrou imediatamente de casa adentro. O homem quando o viu, assustou-se; guardou rapidamente o chinelo, tentando disfarçar a agressão sem sucesso. A mulher, já enxugando as lágrimas, levantou-se. Os três se entreolhavam. O silêncio imperava na sala. Padre Justino, com seu olhar reprovador, encarava o homem de uma forma intimidadora. O homem, por sua vez, olhou bem nos olhos do padre e, visivelmente envergonhado, baixou a cabeça, retirando-se da casa. O padre que ficara a sós com a mulher, nada falou. Apenas se retirou lentamente de lá.
Continuando sua caminhada, o padre logo se deparou com outra situação desagradável. Um grupo de adolescentes formava um círculo na rua. No centro havia dois jovens que se olhavam com visíveis impressões assassinas em suas faces. Todos os outros que os cercavam, gritavam, incitando-os a se enfrentar. O padre passando os olhos por aquela multidão de jovens ensandecidos, não sabia mais o que fazer; não se mexia; estava perplexo. No entanto, percebendo o barril de pólvora que ali tinha se transformado, o padre correu em direção aos garotos, fazendo uma força tremenda para penetrar naquele círculo, pois não tinha mais idade para enfrentar toda aquela juventude descontrolada. Depois de muito esforço, conseguiu adentrar a forte barreira formada por aquele bando que agiam como "loucos". Lá dentro, ficou entre os dois jovens que se enfrentavam. Todos pararam, olhando para o padre. Uns debochavam. Outros apenas ficavam calados. O padre tremia ofegante, mal conseguia respirar. Passado alguns segundos, a multidão, já meio que controlada, começou a se dissipar. O padre, com a sua mão trêmula, retirou um lenço que estava no bolso de sua batina e com um difícil movimento, levou-o a testa, enxugando o suor que não parava de escorrer.
O padre já não era o mesmo. Estava cansado, visivelmente abalado. Com muita dificuldade, prosseguiu em sua caminhada. Não sabia mais o que pensar. Andava agora de cabeça baixa, olhando para o chão, de tão grande o seu desapontamento. No fim da calçada, avistou um banco. Lá se sentou. Era filho de Deus e precisava descansar. Uma leve e agradável brisa o relaxava.
Agora encostado naquele banco velho de cimento, estava mais calmo. As costas, envergadas, não lhe dava mais descanso. Olhou para o imenso céu azul. Os pássaros voavam de lá para cá. Achou lindo. Baixou a cabeça e se deparou com uma mulher que acabara de se sentar ao seu lado. Ele ficou feliz, finalmente iria conversar com alguém. A mulher nada falou. O padre pigarreou, queria chamar-lhe a atenção. Queria conversar. Não adiantou, a mulher de cabeça baixa ficou. Foi então que o padre percebeu um carro se aproximar lentamente. Era um carrão de vidros escuros e tudo; coisa de gente rica. O carro parou lentamente a sua frente, baixando o vidro devagar. Inclinando-se o corpo no banco, o padre preparou-se para dialogar. Talvez fosse um conhecido, pensou. De dentro do carro, pode observar. Era um homem bem aparentado. Tinha aproximadamente seus cinqüentas anos. Cabelo também grisalho, semelhante ao dele.
O homem de dentro carro, nada falava, apenas olhava para o banco. O padre pensou que talvez ele estivesse perdido e quisesse alguma informação. Foi então que o homem começou a gesticular, apontando para a moça sentada ao seu lado. Ela percebendo a coisa toda, levantou-se, quase que imediatamente, correndo em direção ao carro; ainda do lado de fora, com a cabeça baixa, conversava com o homem pela janela do veículo. O padre apenas observava de longe. Foi então que ele começou a reparar o quanto exótico era a indumentária daquela mulher. Vestia roupas minúsculas, barriga quase que totalmente descoberta, muita maquiagem, e uma bolsinha que ela não cansava de girar no ar.
O padre estava pálido e com falta de ar. Não acreditava que ele, missionário de Deus, estava cometendo um pecado, julgando um próximo só por causa de suas vestimentas; mas o que poderia fazer; não havia outra justificativa que fosse capaz de tranqüilizar o seu coração para aquela situação. Depois de uns cinco minutos de diálogo entre os dois, a mulher, em um movimento rápido, abriu a porta do carro entrando de maneira sorrateira; o carro rasgou de estrada adentro, levantando poeria da rua de piçarra. O padre apenas acompanhou com os olhos, nada poderia fazer.
No entanto, toda aquela dor valia a pena; com a reforma da casa do Pai, finalmente concluída, sabia que no mínimo, já tinha garantido uma vaga no reino de nosso Senhor. Demonstrando nitidamente uma satisfação, quis percorrer por toda cidade; tinha que ver com seus próprios olhos, o povo clamando o seu nome, agradecendo-lhe por restaurar o templo do Pai. Andou...andou e nada. As pessoas que passavam por ele, muitas de cabeças baixas, nada falavam. Nenhum sinal de agradecimento. Nenhum aceno, nem um simples obrigado que fosse... somente o nada se fazia presente naquele momento. Os poucos que levantavam a cabeça com menção de olhá-lo, logo desistiam ao perceberem que o padre os fitava. O padre se entristeceu. Sua coluna que já era arqueada, agora parecia que ia se partir ao meio de tanto o padre ficou cabisbaixo.
Sem saber o motivo daquela reação do povo, o padre matutava em busca de uma explicação. Será que ninguém tinha visto como a igreja tinha ficado linda? Perguntava-se o padre. Continuou andando. Logo adiante, percebeu uma gritaria que vinha de uma casa. Aproximou - se. Parou diante da porta da casa que estava escancarada. Dali mesmo, olhou para o interior da residência e percebeu que se tratava de uma ríspida discussão que um casal travava.O homem, completamente bêbado, tentava agredir uma mulher, provavelmente sua esposa, com um chinelo. A mulher, em lágrimas, chorava encolhida no canto da parede. Presenciando aquela situação, padre Justino entrou imediatamente de casa adentro. O homem quando o viu, assustou-se; guardou rapidamente o chinelo, tentando disfarçar a agressão sem sucesso. A mulher, já enxugando as lágrimas, levantou-se. Os três se entreolhavam. O silêncio imperava na sala. Padre Justino, com seu olhar reprovador, encarava o homem de uma forma intimidadora. O homem, por sua vez, olhou bem nos olhos do padre e, visivelmente envergonhado, baixou a cabeça, retirando-se da casa. O padre que ficara a sós com a mulher, nada falou. Apenas se retirou lentamente de lá.
Continuando sua caminhada, o padre logo se deparou com outra situação desagradável. Um grupo de adolescentes formava um círculo na rua. No centro havia dois jovens que se olhavam com visíveis impressões assassinas em suas faces. Todos os outros que os cercavam, gritavam, incitando-os a se enfrentar. O padre passando os olhos por aquela multidão de jovens ensandecidos, não sabia mais o que fazer; não se mexia; estava perplexo. No entanto, percebendo o barril de pólvora que ali tinha se transformado, o padre correu em direção aos garotos, fazendo uma força tremenda para penetrar naquele círculo, pois não tinha mais idade para enfrentar toda aquela juventude descontrolada. Depois de muito esforço, conseguiu adentrar a forte barreira formada por aquele bando que agiam como "loucos". Lá dentro, ficou entre os dois jovens que se enfrentavam. Todos pararam, olhando para o padre. Uns debochavam. Outros apenas ficavam calados. O padre tremia ofegante, mal conseguia respirar. Passado alguns segundos, a multidão, já meio que controlada, começou a se dissipar. O padre, com a sua mão trêmula, retirou um lenço que estava no bolso de sua batina e com um difícil movimento, levou-o a testa, enxugando o suor que não parava de escorrer.
O padre já não era o mesmo. Estava cansado, visivelmente abalado. Com muita dificuldade, prosseguiu em sua caminhada. Não sabia mais o que pensar. Andava agora de cabeça baixa, olhando para o chão, de tão grande o seu desapontamento. No fim da calçada, avistou um banco. Lá se sentou. Era filho de Deus e precisava descansar. Uma leve e agradável brisa o relaxava.
Agora encostado naquele banco velho de cimento, estava mais calmo. As costas, envergadas, não lhe dava mais descanso. Olhou para o imenso céu azul. Os pássaros voavam de lá para cá. Achou lindo. Baixou a cabeça e se deparou com uma mulher que acabara de se sentar ao seu lado. Ele ficou feliz, finalmente iria conversar com alguém. A mulher nada falou. O padre pigarreou, queria chamar-lhe a atenção. Queria conversar. Não adiantou, a mulher de cabeça baixa ficou. Foi então que o padre percebeu um carro se aproximar lentamente. Era um carrão de vidros escuros e tudo; coisa de gente rica. O carro parou lentamente a sua frente, baixando o vidro devagar. Inclinando-se o corpo no banco, o padre preparou-se para dialogar. Talvez fosse um conhecido, pensou. De dentro do carro, pode observar. Era um homem bem aparentado. Tinha aproximadamente seus cinqüentas anos. Cabelo também grisalho, semelhante ao dele.
O homem de dentro carro, nada falava, apenas olhava para o banco. O padre pensou que talvez ele estivesse perdido e quisesse alguma informação. Foi então que o homem começou a gesticular, apontando para a moça sentada ao seu lado. Ela percebendo a coisa toda, levantou-se, quase que imediatamente, correndo em direção ao carro; ainda do lado de fora, com a cabeça baixa, conversava com o homem pela janela do veículo. O padre apenas observava de longe. Foi então que ele começou a reparar o quanto exótico era a indumentária daquela mulher. Vestia roupas minúsculas, barriga quase que totalmente descoberta, muita maquiagem, e uma bolsinha que ela não cansava de girar no ar.
O padre estava pálido e com falta de ar. Não acreditava que ele, missionário de Deus, estava cometendo um pecado, julgando um próximo só por causa de suas vestimentas; mas o que poderia fazer; não havia outra justificativa que fosse capaz de tranqüilizar o seu coração para aquela situação. Depois de uns cinco minutos de diálogo entre os dois, a mulher, em um movimento rápido, abriu a porta do carro entrando de maneira sorrateira; o carro rasgou de estrada adentro, levantando poeria da rua de piçarra. O padre apenas acompanhou com os olhos, nada poderia fazer.
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