Quando menino, na escola, nunca fui o que se poderia chamar de “o cara”.
Desajeitado com as meninas, tímido,e muito, muito, atrapalhado.
Adorava meu pai. Q.I. elevadíssimo, era escritor, poeta, cientista de garagem, além de funcionário público e segundo seus colegas de trabalho, um datilógrafo tão rápido, que jamais algum deles viu igual.
Os colegas contam que ele não olhava para a máquina, não rebatia palavras, e que nas sextas feiras, apressava-se em fazer também o trabalho deles, para depois batucarem uns sambinhas no escritório, onde ele era o solista, em sua máquina de escrever.
Eu procurava imitá-lo em tudo, fazer sentir orgulho de mim, mas confesso que só a pouco, descobri que nem todas as invenções de meu pai,eram dignas de aplausos ou um Nobel da ciência.
Ele por exemplo, inventou o primeiro chuveiro, aquecido a tração humana.
O invento era promissor, mas carecia de alguns ajustes. Cansava muito, além de ser difícil, tirar-se as mãos do guidão, para ensaboar-se.
Para surpreendê-lo, construí uma ratoeira elétrica. Mas antes que pudesse mostra-lhe,quase fritei minha irmãzinha, por pouco não fazendo-a engolir a chupeta. Resolvi voltar a prancheta.
Infelizmente com dez anos ele se foi, e eu, passei a ser criado por uma tia e seu marido.
Quem é professor sabe, como uma criança que se desenvolve em meio a professores é cobrada, e para sublinhar toda a cobrança que eu já sofria, ainda carregava o peso de ser filho de um homem super inteligente.
Eu estudava em uma escola em que, minha tia mãe era a diretora, uma outra tia era minha professora de ciências, e outra de matemática. Não consigo lembrar de quantas vezes ouvi:
-João não é cabo, é caibo!
Acho que foi neste momento que comecei a me rebelar contra a educação, abandonando a escola na 8ª serie.
Entre muitas cobranças, existia a esperança de minha família, que eu me tornasse senão igual, melhor datilógrafo que meu pai. Era uma coisa que minha tia não tirava da cabeça, já que aquela época, quem dominasse a técnica tinha muitas portas abertas.
Assim matricular-me na melhor escola de mecanografia, que era também conhecida por “escola das freiras”, não me era algo com status de opcional.
Lá estava eu, totalmente desmotivado, obrigado ao convívio de olivets, facits, e sei lá mais o que.
Repousando sobre reluzentes escrivaninhas, aquelas máquinas tinham seus teclados cobertos por um grosso plástico escuro, que vim á saber depois tratar-se de um tapa-visão. Ou seja, o motivo dele estar lá, era impedir os alunos de olharem para os dedos, a fim de, apurarem a técnica.
No quadro a primeira lição: A,S,D,F,G espaço. A,S,D,F,G espaço, e assim ia-se ao infinito.
Retirei uma folha de oficio de minha pasta, coloquei na máquina, acertei-a.
Olhei o teclado, para apenas posicionar os dedos, feri a primeira letra e...nada!
Ajeitei a posição novamente e...nada!
Outra vez e...nada!...nadíca de nada!
Levantei contrariado e me dirigindo a instrutora, que aliás, era a mais cruel e sem paciência das irmãs, o equivalente hoje a pessoa tipo ”tolerância zero”, e reclamei:
-Irmã Isabel, tento teclar mas não dá, meus dedos saem da posição!
-Ô ameba, quem sabe tu bate por debaixo do plástico! - disse a irmã.
Desajeitado com as meninas, tímido,e muito, muito, atrapalhado.
Adorava meu pai. Q.I. elevadíssimo, era escritor, poeta, cientista de garagem, além de funcionário público e segundo seus colegas de trabalho, um datilógrafo tão rápido, que jamais algum deles viu igual.
Os colegas contam que ele não olhava para a máquina, não rebatia palavras, e que nas sextas feiras, apressava-se em fazer também o trabalho deles, para depois batucarem uns sambinhas no escritório, onde ele era o solista, em sua máquina de escrever.
Eu procurava imitá-lo em tudo, fazer sentir orgulho de mim, mas confesso que só a pouco, descobri que nem todas as invenções de meu pai,eram dignas de aplausos ou um Nobel da ciência.
Ele por exemplo, inventou o primeiro chuveiro, aquecido a tração humana.
O invento era promissor, mas carecia de alguns ajustes. Cansava muito, além de ser difícil, tirar-se as mãos do guidão, para ensaboar-se.
Para surpreendê-lo, construí uma ratoeira elétrica. Mas antes que pudesse mostra-lhe,quase fritei minha irmãzinha, por pouco não fazendo-a engolir a chupeta. Resolvi voltar a prancheta.
Infelizmente com dez anos ele se foi, e eu, passei a ser criado por uma tia e seu marido.
Quem é professor sabe, como uma criança que se desenvolve em meio a professores é cobrada, e para sublinhar toda a cobrança que eu já sofria, ainda carregava o peso de ser filho de um homem super inteligente.
Eu estudava em uma escola em que, minha tia mãe era a diretora, uma outra tia era minha professora de ciências, e outra de matemática. Não consigo lembrar de quantas vezes ouvi:
-João não é cabo, é caibo!
Acho que foi neste momento que comecei a me rebelar contra a educação, abandonando a escola na 8ª serie.
Entre muitas cobranças, existia a esperança de minha família, que eu me tornasse senão igual, melhor datilógrafo que meu pai. Era uma coisa que minha tia não tirava da cabeça, já que aquela época, quem dominasse a técnica tinha muitas portas abertas.
Assim matricular-me na melhor escola de mecanografia, que era também conhecida por “escola das freiras”, não me era algo com status de opcional.
Lá estava eu, totalmente desmotivado, obrigado ao convívio de olivets, facits, e sei lá mais o que.
Repousando sobre reluzentes escrivaninhas, aquelas máquinas tinham seus teclados cobertos por um grosso plástico escuro, que vim á saber depois tratar-se de um tapa-visão. Ou seja, o motivo dele estar lá, era impedir os alunos de olharem para os dedos, a fim de, apurarem a técnica.
No quadro a primeira lição: A,S,D,F,G espaço. A,S,D,F,G espaço, e assim ia-se ao infinito.
Retirei uma folha de oficio de minha pasta, coloquei na máquina, acertei-a.
Olhei o teclado, para apenas posicionar os dedos, feri a primeira letra e...nada!
Ajeitei a posição novamente e...nada!
Outra vez e...nada!...nadíca de nada!
Levantei contrariado e me dirigindo a instrutora, que aliás, era a mais cruel e sem paciência das irmãs, o equivalente hoje a pessoa tipo ”tolerância zero”, e reclamei:
-Irmã Isabel, tento teclar mas não dá, meus dedos saem da posição!
-Ô ameba, quem sabe tu bate por debaixo do plástico! - disse a irmã.
Crie um banner deste artigo em outros sites
Para criar um banner deste artigo em outro site,
copie e cole o texto abaixo em sua página.
Visualizar :


