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Sexta, 03 Set 2010
Escrito por: João Bravo
João Bravo

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IVAN O TERRÍVEL

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Ivan e Paulinho são umas figuras. A cidade não seria a mesma sem eles.

Barbeiros de profissão, por influência do pai, proprietários a mais de 30 anos da mais famosa barbearia da cidade.

Apresentadores de rádio, com programa próprio, que tem por tema a musica sertaneja, outra paixão, que já quase se torna profissão, graças ao grande números de shows que fazem pela região.

Se você quiser saber sobre alguém,uma informação, qualquer coisa que exija uma resposta verdadeira, não pergunte a eles.

Cansavam de indicar a seus clientes desavisados, para compra de aspirinas ou xarope para tosse, a farmácia logo ao lado, mesmo sabendo os dois, tratar-se de uma Agropecuária.

Certa ocasião bateram á minha porta, minha esposa ao abri-la, viu saltar ao seu pescoço em prantos ,uma prima que dizia:

-Pamela, que tragédia, fiquei sabendo só agora, como foi que aconteceu?

-Aconteceu o que?...pare de chorar e fale, pelo amor de deus! – disse minha esposa.

-Ué, o João não morreu num acidente?

-Só se por capotamento da cama, até vou lá no quarto ver!

Eles contaram para o marido dela, que eu havia me acidentado gravemente, vindo a falecer.

O mais impressionante é a rapidez que eles conseguem espalhar a noticia, a coisa era instantânea.

Por várias vezes fizeram multidões se deslocarem até a capela, onde estava sendo velado o prefeito, o padre, um casal de noivos que suicidaram após um pacto. Quase sempre ficava escrito a porta da capela, “Por motivo de força maior, não nos velaremos hoje”.

Na rádio, eles tem ouvintes cativos, tamanha sua alegria e gentileza, são realmente pessoas insubstituíveis.

Na barbearia, eles costumavam ter um walk talk, que era captado pelo o radio FM sempre ligado, para uma ou outra pegadinha.

Numa destas, entra um relojoeiro famoso, muito boa gente, amigo dos dois e pede para cortar o cabelo e fazer a barba.

A estas alturas, o Ivan já está na parte dos fundos da barbearia,escondido, fora das vistas dos clientes, com o Walk Talk nas mãos, pronto para aprontar.

Enquanto o Paulinho remexia a gaveta, pegando a navalha ouviu do relojoeiro:

-Como vai o programa de rádio de vocês?

-Está cada vez melhor, hoje o empregado não veio, aí não deu pra nós irmos os dois, foi só o Ivan. Aliás já está começando o programa, quer dar uma escutada?

-Sim claro, ligue o rádio, eu já estava com saudades do programa de vocês – disse o relojoeiro.

Aquilo foi a senha,o Paulinho liga o rádio receptor, e o Ivan sai com esta:

-Estamos com a unidade móvel aqui, no Bairro São José, em edição extraordinária, fazendo a cobertura de um terrível incêndio que já destrói varias casas. As chamas parecem ter originado-se na residência nº 340, da Av. Alberto Pasqualine, e se espalhando para várias outras casas. Várias viaturas e caminhões pipas deslocam-se para o local.

-Alberto Pasqualine, nº 340, é meu endereço!!! – disse o relojoeiro, já se desfazendo do avental protetor.

Antes que o Paulinho conseguisse desfazer a brincadeira, o Relojoeiro embarca em seu automóvel, e sai em desabalada carreira, quase aos prantos.

Na volta,mais calmo, o relojoeiro passa a frente da barbearia e grita:

-Sabendo como vocês são, não sei como ainda caio nesta! – grita ele sorrindo.



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